Sobre intérpretes profissionais e aspirantes a intérpretes

Nesta pista você pode encontrar esquiadores de primeiro dia que caem sem nenhuma razão

Apareceu no Tweeter esta semana:

“Hj fui ajudar um amigo num evento com tradução simultânea. É uma loucura, desesperador. Tô traumatizada…”

Acho que o comentário reflete bem o choque de alguém que entra numa cabine de tradução simultânea pela primeira vez e percebe que falar  duas línguas ou mais não faz de ninguém um intéprete.

Sem formação em interpretação,  conhecimento da terminologia específica e muito sangue-frio fazer interpretação simultânea ou consecutiva é mais que loucura.

É puro terror.

Correm várias histórias de aventureiros das cabines que “travam” na sua primeira apresentação.  São pessoas que nunca fizeram curso de interpretação e ficam mudos ou balbuciantes nas cabines, incapazes de acompanhar a pauleira que vem do pódio e desprovidos de recursos técnicos para dar a volta por cima, como fazem os intérpretes experientes.

Dominado por uma sensação de angústia, pelo pavor de não dar conta do recado, o ” intérprete” deixa passar na voz a insegurança  e o nervosismo facilmente percebidos pelos ouvintes.

Já ouvi histórias até de pessoas que abandonaram o evento e deixaram o contratante na maior correria para encontrar um intérprete profissional com disponibilidade para apagar o incêndio.

Dica para contratantes de intérpretes

Evite dissabores escolhendo sempre um intérprete profissional e experiente.

Outra dica importantíssima é verificar se o intérprete é filiado à Associação Profissional de Intérpretes de Conferência ou seu equivalente internacional AIIC.  As duas instituições são consideradas um selo de qualidade no mercado e possuem requisitos de entrada bastante elevados.

Conselhos aos aspirantes a intérprete

Não queime seu nome à toa, faça um bom curso de interpretação e aí sim,  tente sua sorte no mercado.

Acho que todo mundo tem o direto de experimentar para ver se leva jeito como intérprete, mas um evento real não é o ambiente certo para testes arriscados.

Aceitar um trabalho para o qual não se está preparado é a o caminho mais rápido para queimar o seu nome, além de ser um tremendo desrespeito ao contratante de eventos, que confiou em você,  e ao ouvinte, que vai depender de você para entender o que está sendo dito pelos palestrantes.

Hoje, nas maiores cidades brasileiras há cursos para intérpretes. Os mais renomados, pelo menos em S.Paulo, são o curso de tradução e interpretação da Alumni e da PUC.  A profissionalização do intérprete não tem nada de opcional e deveria ser considerada um requisito tão importante quanto o brevê para o piloto ou o exame da OAB para o advogado.

Ao estrear na cabine, prepare-se ao máximo. Exija as apresentações com antecedência, faça glossário, estude até não aguentar mais e reveja novamente o que leu, tentando prever as dificuldades terminológicas que vai encontrar.

Um palestrante muito rápido sempre pode pegar você no contrapé, mas com o vocabulário decorado você se sentirá bem mais seguro.

Peça a seu colega de cabine para ajudar você com os números ou outra dificuldade que você possa ter, como as siglas. Não é demérito nenhum pedir o apoio do colega mais experiente.  Afinal, todo intérprete profissional já teve o seu primeiro dia.

E todos nós sabemos que os melhores esquiadores um dia começaram na pista de iniciantes.  

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