Tradução e interpretação: atividades complementares

Diversos autores afirmam que não há melhor exercício para o intéprete do que fazer tradução escrita. Na tradução escrita, o intérprete tem a oportunidade de ampliar o seu vocabulário, conhecer novas áreas técnicas e memorizar estruturas para depois usá-las na cabine.

Porém sinto que o inverso da afirmação também é verdadeiro. Não há melhor exercício para o tradutor do que a interpretação em cabine. Sob a pressão do tempo, o intérprete ganha o poder de síntese e descobre como transmitir idéias com clareza, sem se ater às palavras mas ao conteúdo da mensagem.

Como os musicistas, o intérprete tem bom ouvido. Ao revisar uma tradução detecta com facilidade os cacófatos, frases capengas e regências incorretas. Costuma ser também muito versátil, adaptando-se rapidamente ao jargão de diferentes áreas, assimilando conceitos num piscar de olhos.

Claro que nem todos os profissionais tem a capacidade ou vontade de exercer as duas atividades. Haverá sempre os tradutores que são artistas do teclado mas têm um desempenho inferior na cabine. E os intérpretes que fazem bem em fugir das laudas como o diabo na cruz.

Mas  o cliente que contrata profissionais com bagagem nas duas áreas, só tem a ganhar, pois o tradutor que interpreta ganha um pouco do proverbial jogo de cintura do intérprete; e o intérprete, um pouco da solidez conceitual do tradutor.

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